quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Zero Hora, jornal idoso e unidirecional

Há tempos não escrevo nada no blog, mas venho externar algo que me deixa indignado há algum tempo. Como não pude me manifestar de forma satisfatória através da seção de comentários da Zero Hora online, manifesto-me por aqui.

Para começo de conversa, as notícias da Zero Hora transmitem sempre uma opinião no sentido de manutenção do status quo. Eu diria que é um jornal de velho. É aquela leitura para o idoso aposentado, com seus 70 anos, encontrar seu paraíso retórico, pero falacioso demais para os olhos de qualquer pessoa mais jovem ou jovial.

Sim, há velhinhos jovens, e não me refiro a estes. Refiro-me ao respeitável desembargador aposentado, ao ilustríssimo doutor médico formado numa UFxx nos anos 50, quando nem se pensava na instauração de cotas de inclusão social. O cidadão já era classe média alta e, como recompensa, estudava de graça numa universidade para o bem da imobilidade social. Vivíamos numa Índia de retórica liberal. Castas disfarçadas de liberdade. Operários que sempre seriam operários, por mais que se esforçassem. Com alguma sorte e muito esforço, cursariam um técnico em edificações no Parobé e seriam recompensados com migalhas de respeitáveis engenheiros civis; estes, hoje simpáticos e rechonchudos velhotes leitores da ZH.

É esse o público-alvo da Zero Hora. Eu costumo ir todas as manhãs ao Café do Mercado, geralmente na filial do Cine Victória. O local é um reduto de velhotes aposentados e jovens com hábitos de velhotes, como eu. Com eles, compartilho o hábito, mas não a opinião. À disposição, os três jornais de maior circulação no RS: Correio do Povo, o Jornal do Comércio e a Zero Hora. O Sul não conta, pois é um copy-paste da internet, é um Google News impresso para aqueles que resistem ao computador.

Antes do Café do Mercado, eu não era um ávido leitor de jornais impressos. Preferia o dinamismo do Google News ou mesmo entrar em versões online do Estadão, JB e até ZH. Mas mudei; hoje, acho a fluência da versão impressa bem interessante, além de não ter aquela poluição de notícias repetidas da Reuters, que é o que se encontra nas versões online dos jornais.

Desde o primeiro momento, simpatizei com o JC. Primeiro, porque embora seja um jornal voltado para o capitalismo, comércio e finanças, é uma leitura muito menos reacionária do que a ZH. As opiniões parecem mais claras, não há disfarces de imparcialidade e prefiro um reacionário declarado do que um enrustido.

O problema do impresso é o canal de volta, ou seja, a interação do leitor com a leitura, imprescindível para quem se adaptou à era da informação. Um jornal moderno não termina na publicação, ele vive um ciclo constante de interação com o leitor, e nisso a Zero Hora também peca.

Ao tentar comentar uma notícia, sou convidado a me cadastrar. Beleza, tenho de me identificar, pois é fácil atirar pedras e manter-se no anonimato. No entanto, duas coisas são inadmissíveis: um limite de trezentos caracteres, ridiculamente pequeno para uma argumentação consistente. São praticamente dois torpedos de celular. A segunda coisa é a censura. Para a minha opinião ser publicada, preciso aguardar uma moderação. Ao menos, meu comentário deveria ser publicado no ato e moderado depois, mas não o contrário. Afinal, a Zero Hora não sofre censura para ir às bancas. Censura no dos outros é liberdade de expressão.

Por essas e outras, sempre que vou ao Café do Mercado, quando o JC e o Correio estão sendo ocupados por outros frequentadores, não consigo ir muito além das primeiras páginas da ZH. É um jornalzinho escroto, com jornalistas que devem sentir-se no mínimo violentados por escrever tais atrocidades (sim, tem muita gurizada lá que eu duvido ter vontade de redigir sob aquele viés editorial).

Pronto, agora estou com a alma lavada. E amanhã preciso chegar cedo no Café do Mercado para não sobrar só a Zero (à esquerda) para mim.

sábado, 15 de outubro de 2011

Tannat Santa Colina Estilo

Sou um enólogo amador nos primeiros passos. Já conheci os chilenos e argentinos honestinhos de 15 reais, como o Santa Helena Reservado, o Cosecha Tarapacá e os Concha y Toro mais humildes, como o Travessia. Já me arrependi de ter comprado vinhos como os portugueses Periquita e o Porca de Murça, muito sem graça pelo que custam. Já passei pelo Casillero del Diablo e pelo Trio e hoje a minha zona de conforto fica em torno do Gran Tarapacá, que é comparável a um Casillero, mas custa cerca de cinco reais a menos aqui em Porto Alegre. Também gosto dos malbecs de Mendoza e quando encontro um Latitud 33 malbec na faixa dos 20 reais, procuro aproveitar a oferta.

Também já me decepcionei com os vinhos tintos gaúchos, alguns na faixa dos 40, 50 reais e que ficam devendo a um chileno de 15 ou 20. É verdade que mandamos bem nos brancos e nos espumantes, mas o tinto gaúcho tem o estigma do péssimo custo x benefício. É como se no momento em que adquiríssemos um vinho nacional, soubéssemos logo de cara que existe um chileno melhor pela metade do preço.

Há tempos eu queria encontrar um contra-exemplo, uma razão para acreditar no tinto nacional. Foi quando ouvi falar da campanha gaúcha. A região em termos de clima e topografia possui condições similares às que proporcionam a produção do tannat uruguaio, que tem um custo x benefício comparável e talvez até superior ao malbec argentino. Assim, resolvi experimentar o tannat gaúcho Santa Colina Estilo, produzido na campanha. Por R$8,90 nos supermercados Nacional, tinha tudo para ser uma decepção. Como eu já tinha encontrado esse vinho nas prateleiras por R$12, logo pensei que fosse golpe para desaguar um lote avinagrado, mas por menos de R$9,00, pensei que valeria o risco.

Para a minha surpresa, o Santa Colina Estilo me passou uma boa impressão. Obviamente, não vamos compará-lo com um Gran Tarapacá, mas certamente ele está no patamar de um Santa Helena Reservado ou de um Cosecha Tarapacá ou de um Etchart Privado, mas com uma vantagem: custa bem menos! É o melhor custo x benefício entre esses vinhos mais simples do Mercosul.

Eu só gostaria de encontrá-lo nas cartas de vinhos dos restaurantes. Provavelmente a garrafa não custaria mais do que R$20,00 e traria mais requinte a um jantar a dois para um orçamento mais apertado (como o meu).

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Portais de Opacidade

Alguém já visitou a área de transparência de sites governamentais? Já percebeu o quão superficial são as informações? Algo do tipo "Cadeiras de escritório, 20 unidades, R$10000,00".

Sou só eu que acha esse tipo de informação muito vago para avaliar se houve irregularidade? Onde estão o contrato em papel, digitalizado, a licitação, as empresas concorrentes? "Cadeiras de escritório" seria ótimo para a descrição de um link que remete a uma página com todos os detalhes dessa compra, mas não como a informação consumada, transparente.

Portal de transparência é uma palavra bonita, mas com pouca serventia para que os olhos da sociedade fiscalizem alguma coisa.